Fiscalizei
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Manutenção de software sem depender de uma pessoa que não existe no mercado

Todo sistema legado tem uma pessoa. Às vezes é quem escreveu o código original, às vezes é quem herdou o chamado mais recente e foi lendo linha por linha até entender. Enquanto essa pessoa está por perto, o sistema "funciona". No dia em que ela sai, e ela sai, mais cedo ou mais tarde, o sistema continua rodando, mas ninguém mais sabe mexer nele com segurança.

Esse é o cenário que mais vemos quando uma empresa nos procura pela primeira vez. Não é um pedido de site novo, não é uma reescrita ambiciosa. É: "esse sistema aqui precisa continuar funcionando, e a pessoa que cuidava dele não está mais aqui".

Isso não é um problema raro nem exagerado. O Gartner estima que boa parte do orçamento de TI das empresas é consumida apenas mantendo o que já existe, com departamentos chegando a perder até 40% do gasto de TI para dívida técnica acumulada, dinheiro que não vira produto novo, vira sobrevivência do que já está no ar. Em paralelo, o próprio Gartner projeta que a dívida técnica arquitetural, a mais cara e a mais difícil de resolver com um refactor pontual, vai saltar de cerca de 30% de toda a dívida técnica em 2024 para 80% até 2027. Ou seja: o problema não está desaparecendo com o tempo, está mudando de forma e ficando mais estrutural.

Por isso o primeiro módulo que a Fiscalizei coloca em produção com um cliente novo não é geração de código, é diagnóstico. Cadastramos o repositório, o ambiente, o que existe de documentação (mesmo que seja pouco ou nada), e a partir daí o sistema entra num pipeline de manutenção real: chamados com severidade, SLA definido antes da abertura, e uma trilha de auditoria de cada mudança feita em produção.

Isso muda a pergunta que a empresa faz. Deixa de ser "quem sabe mexer nisso?" e passa a ser "qual é o protocolo do chamado?", uma pergunta que qualquer pessoa da equipe consegue responder, porque a resposta está registrada, não na cabeça de alguém.

Existe também um efeito colateral conhecido de deixar a dívida técnica se acumular sem um processo formal por trás: ela não cresce de forma linear. Análises setoriais que se apoiam nos dados do Gartner mostram organizações que ignoram a dívida técnica gastando até 40% a mais em manutenção do que empresas que tratam o problema de forma contínua, e cerca de 93% das equipes de desenvolvimento já relatam conviver com algum nível de dívida técnica no dia a dia, sendo a dívida arquitetural a mais citada. O padrão de mercado, segundo o próprio Gartner, é que boa parte do tempo de engenharia, historicamente estimado por analistas do setor em torno de um quarto da capacidade total das equipes, acaba consumida só em manter sistemas de pé, mesmo em organizações que se consideram maduras em tecnologia.

O ponto central não é que dívida técnica exista, ela sempre vai existir. O ponto é que, sem um processo formal de manutenção, com severidade, SLA e auditoria, a dívida técnica de uma empresa fica invisível até o dia em que vira incidente. E nesse dia, ela quase sempre esbarra na mesma pergunta que abriu este artigo: quem, além da pessoa que já não está mais aqui, sabe mexer nisso com segurança?

É por isso que tratamos manutenção como o primeiro entregável, não como um item de suporte pós-venda. Um sistema que entra no pipeline da Fiscalizei sai da lógica de "depende de uma pessoa" e entra na lógica de "depende de um processo", que é auditável, mensurável e, principalmente, sobrevive à saída de qualquer pessoa da equipe, inclusive da nossa.